Otorrino Paulista

Você sabe o que é refluxo faringo-laríngeo? Confira

Provavelmente você já ouviu falar sobre refluxo. Neste artigo, abordamos o refluxo faringo-laríngeo e a diferença entre ele e o refluxo gastroesofágico.

O caminho natural dos alimentos é a via descendente, ou seja, após passar pela boca e descer para o esôfago, o bolo alimentar vai até o estômago e se encaminha para os intestinos. No entanto, devido a alguns motivos, pode ocorrer refluxo dos alimentos, ou seja, eles realizam a via ascendente, indo do estômago de volta para o esôfago. Nesse caso, o refluxo é chamado de gastroesofágico.

Apesar de muitas pessoas não saberem, existe outro tipo de refluxo, chamado de faringo-laríngeo. Nesse caso, o bolo alimentar rico em suco gástrico reflui para as regiões localizadas superiormente ao esôfago na via aérea e digestiva, como a faringe, laringe, nariz, seios da face, garganta e ouvidos. Dessa forma, esse problema é capaz de criar vários sintomas otorrinolaringológicos e muito incômodo.

Vamos explicar detalhadamente o que é o refluxo faringo-laríngeo, por que ele ocorre, quais são os seus sintomas e como é possível diagnosticar esse tipo de problema. Além disso, você verá informações sobre o tratamento e outros pontos importantes em relação ao assunto. Confira!

O que é o refluxo faringo-laríngeo?

Quando os alimentos são engolidos, eles percorrem um longo caminho pelo trato digestivo. A digestão se inicia quando o alimento é colocado na boca, e depois disso ele percorre o seguinte trajeto: faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e reto. No estômago há a produção de suco gástrico, um líquido de pH ácido que é responsável por digerir os alimentos.

A laringe realiza a comunicação entre a faringe e a traqueia. Por ela, só deveria passar o ar que vai para a traqueia e, consequentemente, para o pulmão.

O refluxo gastroesofágico ocorre quando os alimentos em processo de digestão pelo suco gástrico retornam para o esôfago. Se esse conteúdo atinge a faringe e a laringe, o nome do refluxo muda para refluxo faringo-laríngeo.

Por que o refluxo causa problemas nos órgãos?

É interessante salientar que todas as pessoas, independentemente de suas idades, apresentam algum grau de refluxo fisiológico. O problema acontece quando o refluxo é excessivo e causa danos aos órgãos devido à presença constante do ácido gástrico.

As lesões acontecem porque somente a mucosa do estômago é preparada para suportar a presença de um pH tão ácido quanto o da secreção liberada nesse ambiente. Para proteger o esôfago, que se comunica com o estômago, existe uma válvula (o esfíncter esofágico inferior) que impede o retorno do suco gástrico.

No entanto, algumas condições — como um problema de funcionamento na válvula — permitem o retorno do líquido. As mucosas do esôfago, da laringe e da faringe não estão preparadas para receber um líquido de pH tão ácido. Dessa forma, se a agressão for constante, ocorre uma inflamação crônica e lesões, que podem ser um fator predisponente para câncer de esôfago e de outros órgãos.

Quais são os sintomas do refluxo faringo-laríngeo?

Quando o refluxo ultrapassa os limites do esôfago, atinge a faringe, ou seja, alcança a garganta. Dessa forma, a região pode ficar irritada, com coloração avermelhada, inchaço, dor e sensação de pigarro ou muco na garganta. Também podem surgir aftas na cavidade oral — devido ao refluxo para a boca de suco gástrico — e mau hálito.

A faringe conecta o nariz, a laringe e a boca ao esôfago. Dessa forma, funciona como ponto de encontro entre sistema respiratório e digestório. A comunicação entre a faringe e a laringe é protegida por uma válvula, chamada de epiglote, que fecha a comunicação para a laringe quando os alimentos são deglutidos.

Como a faringe se comunica com a laringe, é possível que o suco gástrico também atinja essa região, prejudicando a saúde vocal, uma vez que as cordas vocais estão alojadas na laringe. Os sintomas, nesse caso, incluem voz rouca e tosse seca.

As fossas nasais e os seios paranasais, cujo epitélio é bastante sensível, também podem ser comprometidos, o que causa sintomas irritativos e podem gerar quadros de sinusite e rinite inflamatória.

Como falado anteriormente, os sintomas do refluxo faringo-laríngeo também podem acometer os ouvidos. Isso acontece porque a tuba auditiva realiza a comunicação entre a orelha média e a faringe. A sua função é manter o equilíbrio da pressão do ar, evitando a sensação de “ouvido tampado” que prejudica a audição. Devido a essa comunicação, o suco gástrico pode chegar até os ouvidos, causando inflamação nessa região e alterações auditivas.

Como é feito o diagnóstico desse problema?

Após suspeita de refluxo, devido aos sintomas do paciente, o médico deve solicitar um exame chamado de nasofaringoscopia. Para tanto, um spray anestésico é borrifado nas narinas e na garganta, e um aparelho em formato de tubo com uma câmera acoplada na ponta é introduzido pelo nariz.

Essa câmera, que conta com iluminação, permite a visualização das estruturas laríngeas e faríngeas. Para completar o exame, o médico pede ao paciente que fale enquanto avalia o funcionamento dos órgãos. O diagnóstico é fechado quando o edema das regiões associadas ao processo inflamatório é visualizado.

Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma endoscopia digestiva alta, em que o tubo é introduzido pela garganta e vai até o estômago, a fim de avaliar todo o trajeto alimentar. Isso é importante para avaliar como está a situação do esôfago e se a válvula que o isola do estômago está em bom funcionamento.

Como tratar o refluxo faringo-laríngeo?

A doença do refluxo faringo-laríngeo pode ser causada por defeitos na epiglote ou na válvula que separa o esôfago do estômago. No entanto, o problema está intimamente ligado a hábitos de vida e alimentares.

Dessa forma, recomenda-se evitar alimentos que provocam refluxo, como café e chá preto, chocolate, refrigerante, gorduras, bebidas alcoólicas e outras comidas ácidas ou apimentadas. Além disso, é fundamental mastigar bem a comida. O tabagismo também está relacionado ao refluxo e deve ser evitado para a melhora dos sintomas.

A obesidade e o excesso de peso podem ser causas do problema, devido à ingestão de grandes quantidades de alimento e ao aumento da pressão abdominal. Sendo assim, o sedentarismo deve ser combatido com o objetivo de perder peso.

As refeições devem ser fracionadas, de modo que o organismo consiga fazer a digestão adequada. Isso significa que não se deve comer muito de uma só vez. É indicado esperar pelo menos 2 horas da última refeição para dormir. 

Caso seja um hábito cochilar após o almoço, deve-se fazê-lo em posição semi-sentada. Para evitar o refluxo durante a noite, é recomendado elevar os pés da cama que ficam paralelos à cabeça e usar travesseiros anti-refluxo.

Para algumas pessoas, apenas essas medidas são suficientes para evitar episódios de refluxo. Em outros casos, é necessário fazer uso de medicação antiácida ou mesmo uma cirurgia para corrigir problemas de válvulas.

Entendeu o que é o refluxo laringo-faríngeo e quais problemas essa doença pode ocasionar? Se os sintomas forem semelhantes aos seus, é recomendado procurar um médico gastroenterologista para diagnosticar e resolver o problema. Afinal, além de causar desconforto, o refluxo pode propiciar o aparecimento de câncer de esôfago e laringe.

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