Otorrino Paulista

Entenda a Síndrome de Ménière

Sensação de ouvido entupido, zumbido e vertigem. Você sabia que esses são sintomas que se manifestam na síndrome de ménière? Chamada também de hidropsia endolinfática, ela afeta tanto a audição quanto o equilíbrio e atinge principalmente adultos entre 30 e 50 anos.

Obviamente, esse conjunto de sintomas nem sempre leva ao diagnóstico da síndrome, pois outras condições médicas podem apresentar os mesmos sinais. Assim, conhecer mais sobre a doença é essencial para saber qual é o momento certo de buscar um especialista. Para isso, continue a leitura!

O que é a Síndrome de Ménière?

Descrita pela primeira vez em 1961, pelo médico Prosper Ménière, essa síndrome é resultado de uma distensão do compartimento da endolinfa, que é um líquido presente no interior do labirinto, cuja produção e absorção se dão de forma contínua.

Toda vez que nos movimentamos a endolinfa também se mexe e é essa alteração que faz com que sinais elétricos sejam enviados ao cérebro a fim de que aconteça a tradução para que nossa posição seja identificada.

Em pessoas diagnosticadas com a doença há uma modificação tanto na pressão quanto no volume desse líquido, o que causa uma ruptura da membrana do labirinto e também lesões nas células da cóclea. Todas essas alterações geram uma mudança no funcionamento do órgão, levando ao surgimento de crises de vertigem e outros sintomas auditivos, como o zumbido.

Em resumo, pessoas com a síndrome recebem sinais elétricos imprecisos devido à pressão existente no ouvido, o que provoca o aparecimento dos sintomas.

Quais são as causas?

Não há comprovação científica sobre as reais causas da doença, ou seja, o que leva ao aumento da pressão da endolinfa não está totalmente comprovado. No entanto, existe a crença de que essa condição possa ser causada por problemas metabólicos e autoimunes, alergias, infecções ou até mesmo erros alimentares.

O acúmulo excessivo de líquido na parte interna dos canais do ouvido também é considerado uma possível causa. Basicamente, o que vem sendo percebida é uma relação entre a síndrome e algumas doenças como hipertensão, diabetes, enxaqueca, infecção pelo vírus do herpes e doenças autoimunes — como reumatismo e lúpus.

Outras condições que podem levar ao aparecimento da doença são:

  • estresse emocional;
  • traumas na região da cabeça;
  • alterações anatômicas na orelha interna;
  • alterações bruscas na pressão, como viagens de avião e mergulhos;
  • alterações hormonais;
  • surdez congênita.

Quais são os principais sintomas?

A manifestação dos sintomas ocorre durante as crises e, geralmente, acomete apenas um dos ouvidos, mas pode afetar ambos, em alguns casos. As principais manifestações clínicas são:

  • vertigem;
  • diminuição da audição;
  • zumbido;
  • sensação de ouvido entupido

As crises podem durar entre 20 minutos e 24 horas. Inicialmente, a pessoa sente uma pressão no ouvido, semelhante ao que acontece em viagens de avião. Logo após há uma diminuição da audição e o surgimento de um zumbido. A vertigem aparece em seguida, fazendo com que ocorra a perda do equilíbrio. A consequência disso, em alguns casos, são enjoos e vômitos.

Fora dos períodos de crise, as pessoas com a síndrome podem sentir zumbidos, desequilíbrio e perda da audição. Outra particularidade da doença é o fato de que, no início, os sintomas podem ser apenas de um tipo: auditivos, como o zumbido e a perda de audição; ou vestibulares, como falta de equilíbrio e vertigem. A evolução da doença, portanto, não segue um padrão, varia tanto na manifestação quanto no número de crises.

Como é feito o diagnóstico?

Embora o diagnóstico seja decorrente da avaliação clínica feita por um médico, é possível que alguns exames sejam solicitados a fim de descartar outras doenças. O diagnóstico é feito com base na avaliação dos sintomas e também do histórico clínico. 

Para que se confirme a doença, é preciso que a pessoa atenda alguns critérios específicos, os quais foram estabelecidos pela Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. São eles: 

  • duas ou mais crises de vertigem com duração superior a 20 minutos; 
  • diminuição da audição comprovada em audiometria;
  • sensação constante de zumbido no ouvido;
  • exclusão de outras condições médicas.

Como é o tratamento?

Não há uma cura definitiva para a síndrome, o objetivo do tratamento, portanto, é controlar os sintomas e as causas, de modo que o paciente volte a ter qualidade de vida. São prescritos, por exemplo, medicamentos para reduzir a sensação de vertigem e os enjoos, além de outros remédios que ajudam a diminuir a atividade imune no ouvido. Mas, quando há perda auditiva permanente ou zumbido constante, o uso de aparelho auditivo pode ser indicado. 

Além disso, sugere-se a adoção de alguns hábitos alimentares, como restrição de sal, cafeína, nicotina e álcool. Evitar situações estressantes também faz parte das recomendações. 

De modo geral, o tratamento varia de acordo com cada situação e é decidido a partir da identificação não só dos sintomas, mas também das causas do problema. Se a causa está, por exemplo, na descompensação do diabetes, o foco também será tratar essa condição.

Nos casos em que não há uma resposta ao tratamento clínico, o médico pode indicar a cirurgia. Drenar o líquido em excesso que circula nos canais da orelha interna a fim de diminuir a pressão e, consequentemente, aliviar os sintomas é um dos procedimentos realizados, assim como a cirurgia que corta o nervo vestibular.

Como ter sucesso no tratamento?

As possibilidades de tratamento são muitas. No entanto, apenas um especialista tem o conhecimento necessário para avaliar qual é a melhor opção para cada caso. 

O diagnóstico precoce, seja no caso de hidropsia endolinfática ou de outra condição, tem uma relação direta com o sucesso do tratamento. Sendo assim, ao perceber qualquer dos sintomas citados aqui, procure um profissional para investigar melhor os sinais do seu corpo. 

Os sintomas característicos da síndrome de ménière são relativamente comuns, fato que faz com que muitas pessoas não deem a devida atenção. Embora existam outras condições que compartilham das mesmas manifestações clínicas, é sempre importante verificar a origem de tais sinais e dar início ao tratamento necessário para que o bem-estar não seja afetado.

E você, já conhecia a síndrome? Sente ou conhece alguém que sente os sintomas mencionados? Deixe o seu comentário e compartilhe a sua opinião com a gente!

Powered by Rock Convert

Compartilhe !

Agendar consulta
1
Agendar consulta
Olá! Quer ter mais informações para agendar sua consulta?