Otorrino Paulista

O coronavírus é objeto de estudo desde o início do ano em universidades, instigando muitos cientistas ao redor de todo o mundo a buscarem uma vacina eficaz, a fim de erradicar ou, pelo menos, diminuir os efeitos da doença que ocasionou uma pandemia. Sintomas como tosse, cansaço, febre e dor de cabeça tornaram-se avisos para a população procurar os hospitais e, assim, serem tratadas. Todavia, com a falta de recursos eficientes e um sistema imunológico fraco, o paciente pode falecer ou carregar sequelas Covid-19 para o resto da vida – como problemas renais, cerebrais e vasculares.

Dessa forma, o vírus, além de afetar o corpo durante a manifestação da doença, também conta com uma lista de possíveis consequências após a recuperação do coronavírus, sendo a parosmia uma delas.

Entenda mais sobre esse fenômeno e como tratá-lo a seguir!

O que é parosmia?

A fim de compreender melhor o que é parosmia, primeiro devemos entender o que é anosmia. Para isso, pense no nosso nariz como uma antena, um receptor de sinal. Ao invés de recebermos frequências, recebemos moléculas de aromas; essas chegam até os receptores olfativos, que reconhecem o cheiro. Assim, a anosmia é a perda de olfato provocada por uma obstrução no nariz ou um inchaço na fenda olfativa, impossibilitando o reconhecimento de muitos aromas que nos cercam.

Diante disso, a parosmia acontece quando a recuperação inicia-se, caracterizada como uma fase de distorção dos cheiros. Além disso, esse fenômeno pode ser causado por um resfriado comum, uma sinusite e, agora, pela Covid-19. Essa perda de sensibilidade para cheiros afeta até mesmo o paladar, fazendo com que o infectado não sinta o gosto da comida. É importante começar a tratar desde os primeiros sinais, para que não prejudique ainda mais a recuperação.

Pode-se afirmar ainda que isso irrita muitos pacientes recuperados de coronavírus, uma vez que os cheiros podem transformar-se em maus odores e simples refeições podem transformar-se em pesadelos.

Como tratar?

O tratamento da parosmia e da anosmia deve ser acompanhado por um otorrinolaringologista que, aos poucos, fará um treinamento olfatório. Quanto antes o tratamento começar, melhores os resultados.

O processo acontece por meio de medicamentos que podem ser usados por via nasal, como anti-inflamatórios, lavagens com soro fisiológico 0.9% e aplicação de citrato intranasal. Também há a possibilidade de tratar com medicamentos via oral, como corticoides e vitaminas (A, D e B, por exemplo). Além disso, há o treinamento olfativo, no qual o paciente pode fazer a inalação de algumas substâncias com odores por determinado período de tempo ao longo do dia, como óleos essenciais de limão, eucalipto, rosas e cravo, por exemplo.

O papel desempenhado pelo otorrino vai desde o diagnóstico correto, com exames físicos e complementares – como nasofibroscopia, tomografia, olfatometria, entre outros – até escolher o tratamento mais indicado, além de acompanhar a evolução do paciente e certificar-se de que as medidas estejam funcionando e melhorando a sua saúde, adaptando o que for necessário.