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Está com dificuldade para engolir? Veja 5 prováveis motivos

Um adulto sadio tem cerca de 600 deglutições diárias. O ato é uma resposta natural do organismo e ocorre quando estamos acordados ou dormindo. Porém, uma parcela das pessoas se queixa de dificuldade para engolir.

Em uma situação normal, o alimento que consumimos é transportado da boca para o estômago por meio de uma série de contrações musculares. O processo inicial acontece de forma voluntária e se torna involuntário logo após a ingestão.

Quando há a sensação frequente de que o bolo alimentar está preso na garganta ou em outra região do canal digestivo, é preciso procurar o médico gastroenterologista ou otorrinolaringologista. Muitas vezes, esse pode ser o sintoma de uma grave doença.

Neste artigo, vamos mostrar os sintomas, as causas e as formas de tratamento da dificuldade para engolir. Confira!

O que é disfagia?

A disfagia é como os médicos chamam a dificuldade para engolir. O simples fato de sentir dor quando ingerimos um alimento sólido ou líquido não quer dizer que temos o problema. Tal sintoma pode ser apenas um sinal de inflamação na garganta, por exemplo.

O diagnóstico de disfagia é dado quando existe a sensação de que o alimento consumido pelo paciente não percorreu o caminho entre a boca e o estômago de forma natural. Uma endoscopia digestiva ou outros exames são necessários para investigar a origem do sintoma.

Como é o processo de deglutição?

O processo de deglutição engloba três fases: a oral, a faríngea e a esofagiana. A primeira etapa consiste em mastigar o alimento que consumimos para transformá-lo em bolo alimentar com forma e medida adequadas para ser ingerido.

Na fase faríngea, a deglutição passa a ocorrer de forma involuntária no interior do canal digestivo. Os músculos da faringe contraem para que o alimento seja transportado em direção ao esôfago. Durante o processo, a passagem para a laringe é fechada, o que impede o bolo alimentar de ir para os pulmões.

Por fim, na etapa esofagiana o alimento chega ao esôfago com a abertura do músculo superior (esfíncter). Após a passagem, esse músculo se fecha e o esfíncter inferior abre para possibilitar a condução do bolo alimentar até o estômago.

Quais os sintomas da disfagia?

Os sintomas da dificuldade para engolir dependem da causa do problema. Quando a disfagia é do tipo faríngea, o paciente pode apresentar tosse, voz rouca, engasgo, bloqueio na fala, derramamento do alimento e salivação em excesso.

Por sua vez, a disfagia esofágica pode provocar vômito com sangue, perda de peso, azia, regurgitação e até mesmo anemia. Isso acontece porque há a sensação de que o bolo alimentar ficou parado no esôfago, em vez de seguir em direção ao estômago.

Quais as causas da dificuldade para engolir?

As causas da disfagia podem ser variadas, desde problemas musculares a neurológicos. A seguir, listamos os principais motivos da dificuldade para engolir. Entenda!

1. Obstrução no canal digestivo

A disfagia ocorre quando há um obstáculo físico à passagem do alimento por causa da presença de tumor benigno ou maligno na faringe ou no esôfago. Pequenas lesões esofágicas favorecem o problema.

2. Doenças neurológicas

Além de comprometer a mastigação, as doenças neurológicas impossibilitam a movimentação apropriada da língua e dos músculos da faringe. Logo, elas também são a causa da dificuldade para engolir.

Pacientes com doença de Parkinson, esclerose múltipla e AVC (derrame cerebral) ou que apresentam traumatismo craniano e tumores no sistema nervoso central, por exemplo, têm chances de ter disfagia.

3. Doenças musculares esofágicas

Os músculos do esôfago têm a função de conduzir os alimentos que ingerimos para o estômago. Portanto, qualquer problema no órgão pode prejudicar o processo de deglutição e gerar incômodos.

A acalásia (distúrbio provocado pela falta de relaxamento do esfíncter inferior), a esclerose sistêmica e os transtornos de mobilidade esofágica são exemplos de doenças que provocam dificuldade para engolir.

4. Uso de medicamentos

Determinados medicamentos, como anti-inflamatórios, antibióticos e cloreto de potássio, podem provocar alterações no canal digestivo. Por esse motivo, o uso de tais remédios também pode originar a disfagia.

5. Origem desconhecida

Quando o resultado dos exames não mostra nenhuma alteração, dizemos que a causa da dificuldade para engolir é desconhecida. Entretanto, vale lembrar que esse é um diagnóstico de exclusão, ou seja, só deve ser dado se o médico rechaçar qualquer doença que aponte a origem do sintoma.

Como tratar o problema?

O tratamento da disfagia varia conforme a origem do problema. Se a causa for orofaríngea, é recomendado o uso de medicamentos e o acompanhamento com o fonoaudiólogo, a fim de promover a qualidade de vida do paciente e evitar complicações durante a ingestão de alimentos.

Por outro lado, a disfagia esofágica requer o emprego de tubo específico para esticar o órgão e possibilitar a dilatação. O procedimento pode ser realizado por meio da endoscopia com um balão especial incorporado ao instrumento.

Em determinados casos, o médico poderá indicar ainda uma cirurgia para desobstruir o canal onde fica o esôfago, além de receitar medicamentos a fim de combater a acidez no estômago e aliviar os indesejados sintomas.

Quais os cuidados necessários para evitá-lo?

Se você tem dificuldade para engolir, preste atenção nas dicas a seguir para evitar o aparecimento dos sintomas e ter uma melhor qualidade de vida!

  • faça mais refeições durante o dia e em quantidades menores;

  • coma devagar e mastigue bem os alimentos. Procure não se distrair enquanto se alimenta;

  • sente-se em uma posição confortável durante as refeições;

  • para facilitar a mastigação e a deglutição, divida os alimentos em pequenos pedaços;

  • evite fumar e as bebidas alcoólicas;

  • prefira alimentos que sejam facilmente digeridos pelo seu organismo. Há quem evite os de textura pegajosa, como pastas e caramelos.

Agora, sim, você está a par dos prováveis motivos da disfagia. Caso tenha dificuldade para engolir, não deixe de procurar o médico especializado. Só ele poderá realizar o correto diagnóstico e tratar o problema de forma adequada.

E então, o que achou deste artigo? O conteúdo esclareceu suas dúvidas sobre o tema? Aproveite que chegou até aqui e compartilhe as informações com os seus amigos nas redes sociais!

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